Aos amigos do orkut, deixo esse post...

A preferida das bolachas
Ela tem um metro e oitenta de altura, cabelos pretos, olhos azuis, é brava, mal humorada às vezes e durona sempre. Xena, a princesa guerreira é, atualmente a heroína televisiva mais amada pelas sapatas do mundo interior. Até a secretária de Estado americana, a todo-poderosa Madeleine Albright, declarou sua adoção a Xena em visita a Nova Zelândia – país natal da atriz Lucy Lawless – em 1998.
Mas o que Xena tem que atrais tanto as bolachas do mundo inteiro? Para entender, é preciso primeiro introduzir a historia da personagem. Xena vive em plena Grécia antiga, sob o domínio dos deuses olímpicos, e sua tragédia começou quando a aldeia em que vivia foi atacada por um guerreiro bárbaro e cruel. Depois disso, jurou vingança e tornou-se, ela mesma, uma guerreira sanguinária. Vingou o irmão morto, e no afã de expandir os seus territórios e aumentar seu poder, terminou ficando igual aos bandidos que a atacaram quando jovem. A partir de então, começa uma carreira de sucesso como “a destruidora de nações”.
Um belo dia, porém, Xena encontra Hércules, que a convence a mudar de vida e a lutar pelo bem. É aí que começa a história de redenção da princesa guerreira que, numa tentativa de se livrar da culpa por seu passado assassino, passa a defender os fracos e os oprimidos. Mas a jornada torna-se muito solitária e Xena não encontra forças para lutar pelo bem. Um dia, quando está prestes a desistir da vida de guerreira e larga suas armas no meio do mato, Xena depara com um grupo de bárbaros que acabara de aprisionar camponeses para vendê-los como escravos. Xena recupera então suas armas e luta para libertar aquele grupo de camponeses – nem é preciso dizer que ela resolve tudo com meia dúzia de golpes bem aplicados. Entre os camponeses libertados por Xena está a garota Gabrielle, uma contadora de histórias e pacifista por natureza, que resolve seguir Xena em suas jornadas. A principio, a princesa guerreira reluta, mas acaba aceitando Gabrielle como companheira de aventuras – a garota vai ajudar Xena em seu caminho de redenção do mal. Gabrielle, no fundo, representa a inocência perdida de Xena (a mulher que foi a luta e se masculinizou) e funciona como um lembrete para a guerreira não matar e praticar o bem. É nesse ponto que começa a verdadeira saga contada no seriado, a história de Xena, a princesa guerreira, e sua acompanhante Gabrielle.
Apesar do relacionamento das duas personagens não ser explicitamente lésbico, tanto os produtores da série como as próprias atrizes que interpretam a dupla afirmam que o aspecto principal da história é o amor entre as duas mulheres. Isso ficou tão claro que, depois que os primeiros episódios foram exibidos nos Estados Unidos, em 1995. As lésbicas nova-iorquinas começaram a armar um estardalhaço via internet em torno do lesbianismo sugerido pela série. Lucy Lawless, a triz neo-zelandeza que interpreta Xena, reconhece: “As lésbicas sempre foram às fãs mais fervorosas porque nós fazemos duas mulheres que empreendem uma jornada juntas, por conta própria, sem precisar da ajuda de nenhum homem. Aí elas começaram esse bochicho todo – e que eu adoro”. 1
Escrito por Marcelha às 21h11
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continuando...
O caso é que os sites sobre Xena começaram a proliferar na internet, bares lésbicos resolveram promover noites especiais em que são exibidos vídeos do seriado, e isso despertou a atenção dos produtores. As próprias atrizes confessam que, de vez em quando, colocam uns cacos e brincam com a possibilidade de Xena e Gabrielle serem amantes. A produtora da série, Liz Friedman, ela mesma lésbica assumidíssima, disse em entrevista à revista gay The advocate que, por ser um seriado juvenil de aventuras, eles não querem deixar nada explícito. Mas também diz que ninguém, entre atrizes e produtores, está interessado em dizer que as duas são heterossexuais. Mesmo porque na época em que se passa a história não existia esse tipo de definição e a sexualidade das pessoas era bem mais fluída.
Alguns episódios no entanto, beiram o explícito. No episodio “The quest”, Xena, que está momentaneamente morta, fala com Gabrielle durante uma aparição e diz que vai voltar de Tártaros para ficar com ela. O encontro virtual-romantico termina com Xena beijando a boca de Gabrielle. Na comédia A day in the life, o dia-a-dia da dupla é retratado como se elas fossem um casal casado há muito tempo, com todas as delícias e implicâncias que uma parceria de longa data pode oferecer. Logo na primeira seqüência, elas são acordadas por uma trupe de ladrões e Xena, num ataque de criatividade, usa panelas para lutar. Terminada a pancadaria, Gabrielle pega a frigideira, amassada, e pergunta para Xena: “Ta certo, mas agora como é que eu vou cozinhar?” – nem é preciso dizer que Gabrielle é a mulher do casal...
Graças ao forte subtexto lésbico a série, tornou-se definitivamente, um cult entre as sapatas. Na Austrália, durante o Mardi Gras (o carnaval deles), já é tradicional o desfile de um bloco de 200 sapatas vestidas de Xena. Até a cantora kd lang já manifestou publicamente a sua vontade de fazer uma participação especial, como atriz, de preferência num futuro episódio em que Xena encontraria Safo. Esse episódio – que é uma questão das telespectadoras bolachas – está sendo estudado pelos produtores, com chances de, algum dia, quem sabe, ser realizado. Inclusive a própria Lucy Lawless – que, apesar de hetero, é simpatizante de primeira hora – exige fazer também o papel de Safo, que se apaixonaria por Grabielle.
O fato é que depois que a série Ellen 2 foi liquidada, por ser explícita demais, a tv tenta encontrar maneiras mais indiretas de abordar o assunto. Se Xena e Gabrielle fazem sexo ou não, isso parece não importar: os produtores da série preferem deixar as coisas no ar. O importante é que o homoerotismo transborda o tempo inteiro para fora da telinha, assim como as pernas lindas e quilométricas de Lucy Lawless.
1 Mr.Showbiz, abril, 1999.
2 Série cômica exibida nos Estados Unidos e durante algum tempo no Brasil, em que tanto a protagonista como a personagem saíram do armário e assumiram sua homossexualidade, A série fez sucesso logo após este outing duplo, mas depois de uma ano de exbição como “programa assumidamente lésbico”, foi encerrado de maneira melancólica por falta de patrocinadores, segundo sua protagonista, Ellen DeGeneres.
LEONEL, Vange. Grrrls: Garotas Iradas. Summus, São Paulo, 2001. (pág. 70 á 72)
Escrito por Marcelha às 21h11
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