Era uma noite de sábado, eu estava em casa, e apesar do cansaço, optei por manter-me acordada para assistir ao Festival Internacional de Cinema, exibido pela TV Cultura.
A programação contou com um filme japonês intitulado Após a Vida. Confesso que inicialmente apresentei certa resistência, pelo fato da produção ser japonesa, preconceito bobo, e hoje me arrependo pelo fato de não ter gravado o nome do diretor dessa obra. A propósito, se alguém souber, por gentileza me informem, depois desse dia tenho procurado este filme, mas sem sucesso L.
Bom, o filme falava sobre pessoas que haviam morrido, elas iam para um lugar transitório, por onde ficariam por um período de sete dias. Neste tempo, elas eram recebidas por um grupo de pessoas, que tinham a função de ajuda-las a escolher uma lembrança.
Após esta escolha, e no final dos sete dias, estes “funcionários” se esforçariam para reproduzir a lembrança de cada uma das pessoas que ali estava, ao todo eram 23 se não me engano, e fariam uma espécie de filme, sempre buscando a fidelidade dos fatos. Passado esse processo, todos assistiriam ao resultado, e somente depois partiriam para um outro lugar, levando consigo apenas a lembrança escolhida.
Ou seja, não importa se o sujeito tinha 20 ou 80 anos de idade, todos tinham o direito de escolher apenas UMA lembrança, e o resto seria totalmente apagado.
Dentro dessa idéia também há a história dos personagens, definitivamente um filme extremamente interessante.
Naquela noite, fui dormir pensativa. Qual seria a lembrança que eu escolheria? Permaneci neste dilema por muito tempo...
Contei aos amigos sobre o filme que havia visto, e tema causou discussões, o que eu adorei J. Polêmica, o que é natural, afinal não é nada fácil você ter que escolher (num prazo de sete dias), apenas uma lembrança de toda sua vida.
Hoje, nessa exatidão de momento, tenho comigo que escolheria um momento que vivi em Janeiro deste ano.
Era uma sexta-feira de manhã, desembarquei na rodoviária do Rio de Janeiro por volta das seis horas. Onde você está?
Telefono. Lhe espero no lugar combinado...
Quando chega, estou de costas, ouço sua voz: “Nossa! Que mau humor”.
Viro-me, e antes mesmo de te olhar, lhe abraço fortemente. A temperatuda dos nossos corpos, teu cheiro... Permanecemos assim por algum tempo. Me afasto devagar, e só depois olho dentro de seus olhos. Guardaria comigo este abraço.
Escrito por Marcelha às 14h40
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